Guia completo sobre instalação elétrica industrial

No ambiente industrial, a eficiência e a segurança das instalações elétricas são fatores indispensáveis para o sucesso de qualquer operação. As instalações elétricas industriais diferem significativamente das residenciais e comerciais, tanto em complexidade quanto em exigências de segurança.
Com uma estrutura robusta, essas instalações precisam suportar altas cargas e operar continuamente sem falhas, assegurando que máquinas e equipamentos essenciais funcionem com confiabilidade.
Além disso, o avanço da tecnologia e a chegada da Indústria 4.0 demandam adaptações constantes para que as instalações elétricas acompanhem o crescimento do setor.
Neste artigo, abordamos os principais pontos de segurança nas instalações elétricas industriais, além da importância da modernização para atender a essas novas exigências e otimizar o funcionamento da empresa. Acompanhe!
A instalação elétrica industrial é um sistema complexo que fornece e distribui energia elétrica para diversos tipos de equipamentos, máquinas e processos em um ambiente industrial.
Diferente das instalações residenciais e comerciais, que atendem principalmente a demandas de menor potência e intensidade de uso, a instalação elétrica industrial é projetada para operar em condições de alta carga e com uma durabilidade muito maior.
Em ambientes industriais, esses sistemas precisam suportar equipamentos que consomem grandes quantidades de energia e, por isso, exigem componentes robustos, instalações rigorosamente planejadas e normas de segurança específicas.
Além disso, as instalações industriais devem considerar aspectos como eficiência energética, continuidade no fornecimento e proteção contra sobrecargas, curtos-circuitos e outros riscos que podem comprometer o processo produtivo e a segurança dos trabalhadores.
A instalação elétrica industrial precede o cabeamento elétrico e a implantação dos controladores, ou seja, serve de base para o desempenho de todos os serviços elétricos disponibilizados pelo sistema.
Para que produza resultados eficientes e seguros, o planejamento e a organização do projeto de instalação elétrica são essenciais. Vamos conhecer, agora, a sequência de etapas que devem ser seguidas durante esse trabalho.
O passo inicial da criação de qualquer projeto de instalação elétrica é a avaliação da quantidade de carga utilizada naquele local. Para isso, é feito um levantamento de todos os dispositivos que demandam energia.
Nesse conjunto, estão inseridas as máquinas e equipamentos industriais, a iluminação, os aparelhos de ar-condicionado e todos os outros objetos que precisam de energia para funcionar, independente da quantidade.
Ainda nessa primeira avaliação, é importante pensar em uma futura expansão da empresa e deixar as instalações elétricas prontas para receber novos equipamentos, aumento na carga, ampliação da iluminação etc.
Já em relação ao planejamento, é o momento de definir a localização dos equipamentos, a rota de fixação dos fios elétricos, a disposição dos dispositivos de proteção e outros detalhes de organização.
Uma ferramenta que auxilia e facilita essa tarefa é o diagrama unifilar, sobre o qual falaremos com mais detalhes a seguir.
O diagrama unifilar é uma representação simplificada do sistema elétrico de um local, com todos os seus circuitos, trajetos e eletrodos.
Com ele, o eletricista tem uma visualização ampla de todas as instalações necessárias e da intensidade de carga e, com isso, pode organizar o sistema elétrico da melhor forma possível e da maneira mais segura.
Em circuitos elétricos menores, um desenho simples é suficiente para representar os pontos importantes de uma instalação. Mas, em circuitos maiores e mais complexos, como o sistema elétrico de uma indústria, o diagrama unifilar é essencial.
Além de organizar e identificar a passagem de fios e a localização de interruptores e eletrodutos, o diagrama unifilar também facilita a identificação de excesso ou cruzamento de fios, caixas e interruptores instalados em locais de difícil acesso, alterando e corrigindo esses pontos.
Uma grande vantagem do diagrama unifilar é a sua visualização universal. Isso significa que qualquer eletricista, em qualquer país, poderá ler e interpretar o que está escrito, somente a partir dos desenhos e símbolos.
A terceira etapa do projeto de instalação elétrica é a escolha dos materiais que serão utilizados, incluindo os dispositivos e máquinas elétricas.
Três critérios importantes a serem considerados nessa aquisição são a qualidade, a adequação e a eficiência energética dos materiais.
Usar produtos incorretos ou de qualidade duvidosa, fabricados em desacordo com as normas técnicas, aumenta o risco de acidentes, panes elétricas e outras falhas no sistema.
Já os materiais com alto consumo de energia elevam os custos da empresa, comprometem a rentabilidade, além de gerar desperdício de energia, o que não é nem um pouco sustentável para o meio ambiente.
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As normas regulamentadoras foram criadas com o objetivo de garantir a qualidade do planejamento e da execução dos serviços elétricos e, ao mesmo tempo, assegurar a integridade física dos profissionais envolvidos nessa atividade. Vamos conhecer as principais normas e suas orientações.
A NBR 5410 é voltada para as instalações elétricas com menos de 1.000 volts, consideradas de baixa tensão, e estabelece normas a serem seguidas durante o planejamento do projeto, execução e manutenção.
A norma NBR 13570 complementa a NBR 5410, trazendo orientações sobre o trabalho elétrico realizado em locais públicos e visando a segurança de bens, profissionais e usuários do espaço.
O objetivo da NBR 14039 é definir os critérios de segurança que envolvem os projetos de instalação, execução e manutenção de sistemas elétricos em unidades de média tensão, com carga entre 1.000 e 34.600 volts.
A norma regulamentadora de número 10 tem como objetivo a prevenção de acidentes e a segurança dos profissionais que trabalham com eletricidade. Para isso, define regras a respeito do uso de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e outras práticas coletivas.
A NR-33 traz medidas de segurança e estabelece condições saudáveis de trabalho para os profissionais que atuam em espaços confinados, aqueles com baixa ventilação, limitação de entrada e saída e projetados para a permanência não contínua de pessoas.
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Confira os integrantes que não podem faltar em uma instalação elétrica industrial e um pouco mais sobre o funcionamento desses componentes.
As subestações recebem a energia produzida nas usinas e, em seguida, fazem a transformação e a distribuição dessa força para os pontos de energia definidos no projeto.
Os transformadores compõem as subestações, sendo responsáveis por aumentar ou diminuir a tensão elétrica. O objetivo é manter a distribuição contínua e adequada de energia, de acordo com as necessidades dos equipamentos. Conheça duas variações importantes desse componente:
Os painéis de distribuição também fazem parte das subestações e têm como função o compartilhamento correto e adequado de energia para o sistema industrial.
Também chamados de quadros de distribuição, esses equipamentos centralizam a energia recebida e propagam essa força de maneira organizada, controlada e eficiente.
Os painéis possuem, ainda, sistemas e dispositivos de proteção e controle que permitem o uso seguro da energia produzida.
Por fim, temos os cabos e fiações, responsáveis pela condução da corrente elétrica. A utilização desses componentes deve atender às demandas do projeto, de forma a comportar adequadamente a força empregada.
Outro ponto importante são os cálculos de dimensionamento, que irão definir o tamanho correto dos condutores para que não haja faltas e nem excesso de material, o que gera custos e desperdícios desnecessários, além do retrabalho.
Os disjuntores são dispositivos de proteção instalados em sistemas elétricos para interromper o fluxo de corrente em caso de sobrecarga ou curto-circuito.
Sua função principal é proteger os circuitos e equipamentos elétricos contra danos causados por correntes excessivas, evitando acidentes, como incêndios e danos aos equipamentos.
Quando há um aumento anormal de corrente, o disjuntor desarma automaticamente, interrompendo o fluxo de eletricidade e restabelecendo a segurança no sistema.
As chaves seccionadoras são dispositivos manuais que permitem a interrupção do circuito elétrico de maneira segura, principalmente durante a manutenção e inspeção de sistemas elétricos. Elas são projetadas para abrir e fechar o circuito sem carga, ou seja, quando não há corrente fluindo.
A função das chaves seccionadoras é isolar a energia, permitindo que os técnicos possam trabalhar com segurança nos componentes elétricos sem risco de choque elétrico ou acidentes.
Os capacitores são componentes elétricos utilizados para armazenar e liberar energia de forma controlada, atuando principalmente na correção do fator de potência.
Em instalações industriais, os capacitores desempenham um papel importante na estabilização da rede elétrica, reduzindo a carga reativa, o que contribui para um uso mais eficiente da energia elétrica. Isso ajuda a evitar perdas e reduz custos na conta de energia, além de prolongar a vida útil dos equipamentos.
Os controladores de fator de potência são dispositivos que regulam e monitoram o consumo de energia reativa, otimizando a eficiência do sistema elétrico. Eles atuam ajustando automaticamente o fator de potência para evitar penalidades de energia reativa e assegurar um melhor aproveitamento da energia fornecida.
Esses controladores são essenciais em instalações industriais para garantir que a energia disponível seja usada de maneira eficaz, minimizando desperdícios e aumentando a eficiência energética.
Os relés de proteção são dispositivos de segurança que monitoram constantemente as condições de operação do sistema elétrico e, ao detectar uma falha (como uma sobrecarga, curto-circuito ou queda de tensão), enviam um sinal para desligar o sistema. Sua função é proteger os equipamentos e o sistema como um todo contra danos que possam ocorrer devido a falhas elétricas.
Os relés são fundamentais para prevenir interrupções prolongadas e garantir a segurança operacional, atuando rapidamente para limitar os danos ao detectar anomalias no sistema.
Investir em segurança é uma regra básica e que deve ser seguida à risca pelos profissionais em todas as etapas de um projeto de instalação elétrica industrial.
A orientação mais importante para as empresas é delegar esta função para uma equipe técnica especializada, experiente e consciente dos procedimentos corretos e seguros a serem adotados em toda a execução.
Outro ponto importante é o cumprimento das regras contidas nas normas regulamentadoras, como as citadas anteriormente.
Essas determinações legais foram criadas para conferir mais segurança aos profissionais e evitar acidentes, promovendo um ambiente de trabalho digno e saudável para todos.
Por fim, e não menos importante, temos os EPIs. Os equipamentos de proteção individual garantem a segurança dos profissionais, estão previstos nas normas reguladoras e são itens obrigatórios.
As empresas contratantes devem disponibilizar EPIs para os seus colaboradores, respeitando a quantidade e qualidade necessárias. Já os profissionais são obrigados a usar os acessórios em prol do seu bem-estar e manutenção da saúde.
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A modernização elétrica consiste na adequação das instalações industriais antigas para atender aos novos dispositivos, máquinas e sistemas que foram surgindo e ganhando espaço no setor com o passar do tempo.
Esse processo de adequação e modernização é chamado de retrofit elétrico e nada mais é do que o ajuste do sistema atualmente utilizado pela indústria, considerado obsoleto, de forma a adaptá-lo para a aceitação das novas tecnologias, anexadas à indústria.
É fácil entendermos essa necessidade quando pensamos que, há algumas décadas, não imaginávamos a popularização do ar-condicionado, o uso dos dispositivos autônomos e inteligentes e tantas outras tecnologias que, hoje, fundamentam a Indústria 4.0. Todos movidos, de alguma forma, pela energia.
Diante dessa inovação e transformação digital que ainda está acontecendo na indústria, é inevitável que as instalações elétricas passem por ajustes e adaptações de forma a suportar mais carga e mais energia transportada.
Ignorar essa necessidade pode sair muito caro para a indústria, que poderá sofrer com panes, curto-circuitos, acidentes, incêndios e perda total de material.
Quando modernizar as instalações elétricas da sua empresa? Bom, existem algumas situações e indícios que podem servir de ponto de partida para essa mudança. São eles:
Ressaltamos a necessidade de contratar uma equipe técnica especializada em eletricidade para avaliar o local, indicar e executar as alterações que a sua empresa precisa atualmente.
Garantir a segurança e a modernização das instalações elétricas industriais é um investimento essencial para a produtividade e longevidade das operações.
Para que uma instalação elétrica industrial seja eficiente e segura, é fundamental investir em um bom planejamento, materiais adequados e de qualidade, além de uma equipe especializada e competente.
Com um sistema elétrico atualizado e devidamente protegido, a empresa acompanha as exigências do mercado moderno e assegura a continuidade e a eficiência de suas operações.
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