Sistema de aterramento industrial: o que é e como fazer?


Em ambientes fabris, onde a segurança elétrica e a continuidade operacional são indispensáveis, o sistema de aterramento industrial desempenha um papel estratégico.
Mais do que cumprir normas técnicas, ele protege equipamentos, garante a integridade das pessoas e evita prejuízos causados por falhas elétricas, sobretensões e descargas atmosféricas.
Mas o que é um sistema de aterramento, para que serve e como fazer um bom aterramento industrial dentro dos padrões exigidos? Neste artigo, explicamos como funciona o sistema de aterramento, quais são os principais tipos – como o sistema de aterramento TNS –, além das melhores práticas para sua implantação.
Se você quer saber qual o melhor sistema de aterramento para sua planta e como fazer aterramento elétrico industrial com segurança e performance, siga com a leitura.
Um sistema de aterramento industrial é um conjunto de condutores e eletrodos que cria um caminho de baixa impedância para a terra, garantindo que correntes elétricas indesejadas (sejam elas de falhas, sobretensões ou descargas atmosféricas) sejam dissipadas de forma segura. Em outras palavras, ele “desvia” a eletricidade para o solo, protegendo pessoas e máquinas de choques elétricos e danos.
Em ambientes fabris, onde a complexidade das instalações e a potência dos equipamentos são elevadas, a necessidade de um sistema de aterramento robusto é ainda maior. Ele atua como um escudo, minimizando riscos e assegurando a continuidade das operações.
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A importância do sistema de aterramento em ambientes industriais reside em diversos fatores essenciais para a operação e a segurança:
A segurança das pessoas é a primeira e mais importante função. Em caso de falha de isolamento em um equipamento, a carcaça metálica pode ficar energizada.
O aterramento desvia essa corrente para a terra, evitando choques elétricos fatais para os operadores.
Surtos de tensão, descargas atmosféricas e falhas no sistema elétrico podem causar danos irreparáveis a máquinas e sistemas eletrônicos sensíveis.
Um aterramento eficiente protege esses ativos, prolongando sua vida útil e evitando prejuízos financeiros com reparos ou substituições.
Um aterramento adequado contribui para a estabilidade da tensão em todo o sistema elétrico da indústria, prevenindo oscilações que podem comprometer o funcionamento de equipamentos e processos.
Isso se traduz em menos paradas não programadas e maior produtividade.
Em indústrias com muitos equipamentos eletrônicos, o aterramento ajuda a minimizar ruídos e interferências eletromagnéticas, garantindo que os dispositivos funcionem corretamente e se comuniquem sem falhas.
Aterrar as instalações não é apenas uma boa prática, mas uma exigência legal e normativa.
A adequação às normas técnicas é fundamental para evitar multas, interdições e, o mais importante, garantir um ambiente de trabalho seguro.
A segurança em instalações elétricas industriais é regida por um conjunto de normas técnicas rigorosas. Conhecê-las e aplicá-las é imprescindível para garantir a conformidade e a eficácia do seu sistema de aterramento.
A Norma Regulamentadora nº 10 (NR 10), do Ministério do Trabalho e Emprego, é a espinha dorsal da segurança em instalações e serviços em eletricidade no Brasil.
Ela estabelece os requisitos e condições mínimas para garantir a segurança dos trabalhadores que interagem direta ou indiretamente com instalações elétricas.
A NR 10 exige que todas as instalações elétricas industriais possuam um sistema de aterramento eficaz e que seja mantido em perfeitas condições, a fim de proteger os colaboradores contra os riscos de choques elétricos e outros acidentes.
A Norma Brasileira Regulamentadora 5410 (NBR 5410), da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), é a norma de referência para instalações elétricas de baixa tensão.
Embora não seja exclusivamente focada em indústrias, ela estabelece os critérios gerais para o projeto e a execução de instalações elétricas, incluindo os requisitos para o aterramento de instalações elétricas industriais.
Ela detalha aspectos como a seção mínima dos condutores de proteção, a resistência de aterramento e os tipos de esquemas de aterramento (TN, TT, IT), que abordaremos a seguir.
É fundamental que todo projeto de aterramento industrial esteja conforme as diretrizes da NBR 5410.
A NBR 5419, também da ABNT, trata da proteção de estruturas contra descargas atmosféricas (SPDA), popularmente conhecida como para-raios. Embora o SPDA seja um sistema distinto, ele está intrinsecamente ligado ao aterramento.
A norma estabelece os requisitos para o projeto, instalação e manutenção de SPDA, e a eficiência desse sistema depende diretamente de um sistema de aterramento robusto e com baixa resistência ôhmica.
Uma descarga atmosférica em uma indústria pode causar danos devastadores a equipamentos e interrupção da produção se não houver um SPDA e um aterramento adequado para dissipar essa energia para o solo.
Para fazer um sistema de aterramento eficiente, é preciso entender os diferentes tipos de esquemas que podem ser aplicados.
A escolha do sistema depende das características da instalação, dos equipamentos e do nível de segurança desejado. A NBR 5410 detalha os três principais: TN, TT e IT.
O sistema de aterramento TN é amplamente utilizado em instalações industriais e pode ser subdividido em TN-C, TN-S e TN-C-S. Neste esquema, a massa (carcaça metálica) dos equipamentos é ligada diretamente ao ponto de aterramento da fonte de alimentação (geralmente o neutro do transformador).
A principal vantagem do sistema TN é a rápida atuação dos dispositivos de proteção (disjuntores), pois a corrente de falta fase-terra é elevada.
No aterramento TT, a massa dos equipamentos é aterrada diretamente a um eletrodo de aterramento independente do aterramento da fonte de alimentação. Ou seja, há um ponto de aterramento para a subestação e outro ponto de aterramento para a massa dos equipamentos, sem ligação condutiva entre eles.
Este sistema é frequentemente utilizado em instalações onde a fonte de alimentação está muito distante do local de uso ou em instalações temporárias. A desvantagem é que as correntes de falta fase-terra são menores, exigindo o uso de Dispositivos de Corrente Residual (DRs) para garantir a proteção contra choques elétricos.
No aterramento IT, a fonte de alimentação é isolada da terra, ou seja, não há ligação direta entre a alimentação e o aterramento. As massas dos equipamentos são aterradas de forma independente, mas não há um ponto de aterramento comum com a fonte.
Este sistema é ideal para indústrias onde a continuidade da operação é crítica, como hospitais, processos contínuos ou em ambientes com risco de explosão.
Em caso de uma primeira falta fase-terra, a corrente de falta é muito baixa, e o sistema continua a operar sem interrupção. No entanto, é necessário um dispositivo de monitoramento de isolamento para sinalizar a primeira falha, e uma segunda falha pode levar a um curto-circuito.

Para fazer um bom aterramento industrial, é preciso ir além da simples instalação de hastes. É um processo que exige planejamento, conhecimento técnico e a utilização de materiais de qualidade.
Veja as etapas a seguir:
O primeiro passo de como fazer um aterramento elétrico industrial é um planejamento detalhado. Isso envolve:
A qualidade dos materiais impacta diretamente na eficiência e na durabilidade do sistema de aterramento. Opte por:
A instalação deve seguir rigorosamente o projeto e as normas técnicas:
Após a instalação, é fundamental realizar medições da resistência de terra para verificar se o valor obtido está dentro dos limites especificados pelas normas (geralmente, o valor ideal é o mais baixo possível, mas a NBR 5410 não especifica um valor único, dependendo do tipo de sistema e dispositivo de proteção).
Equipamentos como o terrômetro são utilizados para essa finalidade. Estes testes garantem que o sistema está funcionando como planejado e pronto para proteger a instalação.
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Além da instalação inicial, um sistema de aterramento eficiente exige atenção contínua para garantir sua funcionalidade ao longo do tempo.
A manutenção preventiva é vital. Inspeções regulares devem ser realizadas para verificar:
O aterramento não funciona isoladamente. Ele é parte de um sistema de proteção mais amplo, que inclui:
Por fim, a capacitação da sua equipe técnica é fundamental. Os profissionais que operam e realizam a manutenção das instalações elétricas devem ter conhecimento sobre o funcionamento do sistema de aterramento, procedimentos de segurança para trabalhos em instalações elétricas e identificação de riscos e medidas preventivas.
O treinamento contínuo garante que as práticas seguras sejam seguidas e que qualquer anomalia no sistema de aterramento seja identificada e corrigida rapidamente.
Entender o que é um sistema de aterramento, para que serve e qual o melhor sistema para sua indústria é mais do que uma questão técnica; é uma questão estratégica para a segurança de sua equipe e a continuidade de suas operações.
Um sistema bem projetado, instalado e mantido conforme as normas, como a NR 10, NBR 5410 e NBR 5419, minimiza riscos, protege investimentos em equipamentos e contribui para a eficiência energética.
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